evig: (14 - cello)
2017-06-19 03:47 pm
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Trio Geração Perdida de Minas Gerais (show 2 em SP)

No dia 1 de junho, uma quinta-feira, o Vitor Brauer, o Jonathan Tadeu e Fernando Motta fizeram um show em SP, o segundo. O primeiro eu perdi e tava chovendo pra caramba, mas dessa vez eu chamei a Ká que tinha tido uma crise de fibromialgia e as duas atoladas de trabalhos para serem feitos. Mas quarto ano, já sabemos que quando chega essa época, é preciso espairecer. Pois bem, o Vitor eu já conhecia da Lupe de Lupe, o Jonathan eu não conhecia, mas se tava no rolê com o Vitor, só podia ser gente boa, mas eu tinha ouvido pouco do som dele naquela semana porque o meu celular tinha pifado e etc. O Fernando eu tinha aquela sensação de já ter ouvido falar dele, mas não lembrava e só depois que meu computador foi arrumado é que eu vi que eu tinha o álbum dele baixado e que eu já tinha ouvido enquanto fazia faxina e coisas assim (Descoberto pelo Na Mira do Groove).

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evig: (04 - banco)
2017-04-19 10:11 am
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Os Filhos de Anansi, de Neil Gaiman

Li algumas obras de Gaimam, tanto em prosa quanto em HQ e ao ler os Filhos de Anansi, fiquei com a sensação de que este livro fora escrito por um escritor novato. Até então, nenhuma obra de Gaiman me suscitou tanto desgosto. A Verdade é Caverna nas Montanhas Negras tem um problema de verossimilhança no ponto crucial da história, o nó da trama, mas apesar disso, é uma ótima história e tem seu charme na forma mista de livro ilustrado e história em quadrinhos. Os Filhos de Anansi não tem um problema estrutural propriamente. Mas há uma série de metáforas que se anulam (por exemplo: “Fulano estava tal como Sicrando quando não estava fazendo tal coisa.”); personagens que são caricatos; o limão que não tem função alguma dentro da narrativa; o relacionamento entre o protagonista e sua noiva ser oportunamente mediocre, então quando o seu irmão aparece e fode tudo, não é um grande problema, já que eles nem se amavam mesmo...

A história gira em torno de Charles, que tem uma vida mediana e descobre que seu pai, com quem não tem uma boa relação devido a diversas humilhações sofridas na infância, morreu. Ele viaja para sua cidade natal e descobre por uma das vizinhas que tem um irmão e se ele quiser, pode chamá-lo. Sem acreditar muito no método descrito pela velha, Fat Charles (como é chamado) não só recebe a visita de seu irmão, como não consegue mais se livrar dele. Spider é o tipo de personagem que me irrita do início ao fim. Sendo um semi-deus, sua vida é fácil e muito boa, faz o que quer, manipula as pessoas e não tem problemas de consciência nenhuma, sendo o extremo oposto de Charles.
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evig: (15 - leitura)
2017-03-29 01:46 pm
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O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

Eu iniciei a leitura deste livro em 2012 ou 2013 e parei no capítulo XII devido às circunstâncias externas das quais eu não me lembro. Reli recentemente e integralmente.
Essa edição que tenho é a que a Leya (pelo selo Lua de Papel) lançou em 2009 devido à relação que os personagens de Crepúsculo têm com a obra. Dito isso, a capa, a orelha e a sinopse trabalham em função dessa relação, com o subtítulo O amor nunca morre! e o catálogo sistemático categorizando a obra como literatura juvenil. Eu comecei a ler O Morro do Ventos Uivantes por indicação e esta era a edição que veio parar aqui em casa... mas eu sabia antecipadamente sobre o plot e que a obra faz parte do cânone literário, e por isso, não pode ser apenas “uma surpreendente história de amor”, como esta edição faz crer. Não estou querendo dizer que uma história de amor não possa constar num cânone literário. Romeu e Julieta é canônico. Mas a história de Cathy e Hearthcliff tem mais implicações complexas que uma história de amor simplesmente.
[Spoilers]
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evig: (12 - dark)
2017-03-22 10:39 am
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A crítica do Wattpad

No meio do ano passado, mais ou menos, descobri a plataforma de fanfic e histórias originais Wattpad. É de lá que livros como After e Diário de uma escrava vieram, depois de ganharem popularidade. Como estudante de literatura e escritora amadora que há uns dez anos convive com esse tipo de ambiente virtual, fiz uma conta e procurando certos perfis e lendo alguma coisa percebi algumas características bem diferentes da “minha época”. A principal é que o sistema de votos e visualizações é mais importante que os comentários. E essa importância vai do que o autor acha importante, porque denota popularidade, e com popularidade, o livro aparece num ranking, que tem certa preferência nas buscas caso esteja numa posição elevada, e se sua história tiver algumas milhares de visualizações, uma editora pode querer publicá-lo em papel, o que gera mais popularidade...

A segunda diferença é que a capa do livro é tão importante quanto a história. Isso gerou uma imensidade de perfis especializados (ou nem tanto) em criar capas.
A terceira é que o papel dos comentários foi transposto aos perfis de resenhas e críticas, e é aqui que eu e Ezra entramos. Pesquisando esses tipos de perfis juntamente com os livros de desafios, nos deparamos com autores que não aceitavam histórias com teor queer e na procura de um perfil voltado para as histórias LGBTs, simplesmente não encontramos em português. Oras, criamos então o DesafioLGBT, com o intuito de divulgar (e encontrar boas) narrativas queers, além de gerar desafios literários que não sejam desafios de gênero (como são a maioria).

Como leitora e escritora, meu trabalho de leitura crítica é dramático. Quem teve perfil no Nyah! há algum tempo pode notar a queda de qualidade das histórias conforme o site foi crescendo. Não querendo ser elitista, mas já sendo, os autores que se dedicavam a escrever fanfic e mesmo originais, de fato se dedicavam e se divertiam. Aos meus olhos, talvez deslumbrados naquela época com o fanfiction.net e comunidades do LiveJournal, nossa preocupação com verossimilhança, coerência interna, e outros tópicos de estruturas narrativas eram discutidas nos comentários das histórias e fora deles, não com esses termos, mas sempre contando com a boa vontade e o olhar atento de um leitor que cedeu seu tempo para ajudar o autor. Conto por experiência própria que eu aprendi dessa forma que revisão era importante, leitor beta era importante, estruturar histórias longas e fazer perfis de personagens era importante. Descobri meus pontos fracos e com o tempo, os não tão fracos assim. Descobri temas e elementos que eu queria tentar. Me deixei tentá-los.

Talvez, tenha encontrado histórias de qualidade porque os sites que eu frequentava não eram gigantes como é o Wattpad (e porque na época, fanfics não eram publicadas, logo, a popularidade era um bônus e não um objetivo).

Um professor meu disse que as coisas ruins (que a academia diz que é ruim) devem ser estudadas também. Também ouvi em algum lugar que a leitura de livros ruins (ou filmes ruins) nos faz pensar criticamente e nos faz procurar os motivos daquela obra não ser boa (objetivamente falando).

Como crítica (minha pior versão), meu papel é ligar minha necessidade de destrinchar uma obra e entender seus defeitos à um sentimento de bom samaritanismo (que vem muito da revolta de não encontrar boas histórias com os temas que gosto) de ajudar esses escritores que cometem erros tão...primários (e que ainda sim têm grande popularidade).
A questão de divulgar mais as obras LGBTs é uma questão de princípio pessoal e de causa: há muita literatura hétero no mundo. Se a obra em questão é boa ou não, fica a cargo da resenha crítica que o nosso perfil disponibiliza.
evig: (04 - banco)
2017-03-17 02:02 pm
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A abertura das Olimpíadas

Em memória de D. Helena

- Queria ter visto a abertura das olimpíadas. Dizem que foi tão bonito...
- Foi ontem neh?!
- Foi, mais foi muito tarde, eu fui dormir.

Eu estava me fodendo pras olimpíadas, mas eu supria minhas demandas de beleza por outros meios, outras mídias. Minha avó só tianha a TV e não era sempre que passava algo bonito nos canais. Além disso, ela dividia o aparelho injustamente com os netos, que brotavam do nada na hora da sua única novela, trocavam de canal sem permissão e sentavam bem em frente à tela.

- Vai passar reprise, vó.

Não passou.

- Deve ter na internet, vó.

Até tinha, mas ela mau enchergava na tela pequena do meu smarthfone.

- As férias estão chegando, vó.

Nem estavam, mas “as férias estão chegando” era como um mantra pra ela; vivia repetindo sempre que estava de saco cheio dos netos, dos filhos, daquela casa. O problema era que ela sempre ia para a minha casa (a casa da minha mãe), no interior e com os filhos e os netos, então era meio que uma ilusão.
evig: (14 - cello)
2017-03-08 02:46 pm
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TV à cabo

Em memória de D. Helena

Cheguei em casa e estavam todos na pequena sala olhando pra TV, agora preto e branco, sugerindo programas canais soluções reclamações. Deixei meu material no quarto e fui entender o que estava acontecendo. Minha vó falava “poe no canal do padre”, meu tio reclamava “eu não quero isso na minha TV não” e o meu outro tio respondia “essa TV não tem outra entrada, é velha, por isso fica sem cor”. O marido da minha tia entrou com o controle em uma mãe e o celular na outra, reclamando com a possível atendente (porque elas são sempre mulheres?), meio gritando que não tinha cartão nenhum na caixa onde veio o aparelho, que o problemas era no segundo ponto, que a TV tava em preto e branco, e se devido ao seu pacote era de graça mesmo. Fui arrumar minha janta.

Uma hora e meia depois, mais ou menos, minha vó dizia “poe no canal do padre, eu quero ver o padre”, meu tio pedia “quero ver bang-bang, não tem bang-bang?” e o meu outro tio zapeava os canais tentando achar os prometidos cento e sei lá quantos canais da TV à cabo. Percebi que só pegavam os canais abertos. Nem tive tempo de ficar meio feliz. O marido da minha tia ainda estava no celular com a atendente, já bem irritado (não que precisasse muito para que ele se irritasse), já cancelando o segundo ponto e mandando alguém vir buscar o aparelho porque a TV dos meninos tava ligada no video-game mesmo e ele não queria mais.

No dia seguinte quando cheguei, a TV estava à cores, com os canais abertos de todos os dias. Minha vó me disse que estava só com os meninos quando o homem da TV bateu no portão e perguntou se era lá que seria instalado a TV à cabo. Ela disse que sim, e mandou o homem ir lá em cima. (Só um esclarecimento: a casa da minha vó e da minha tia ficam no mesmo terreno. A da minha tia fica mais em baixo, perto do portão e a da minha vó, menorzinha, fica lá em cima.)

Minha vó parou de contar e ficou me olhando com aqueles olhos castanhos claros e espertos, tão diferentes dos meus, e deu uma risada.
evig: (02 - relógio)
2016-10-07 12:45 pm
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A festa do domingo

Era aniversário de minha mãe e ela fizera questão de chamar todos os parentes. Evidentemente, as crianças vieram junto. Só não veio um tio, o alcoólatra, não sei se por não querer vir ou por não terem perguntado se ele queria vir. Eu mesma tinha me esquecido dele; minha irmã foi quem notou sua falta. Então estamos falando de oito pessoas, tirando os moradores (mais ou menos regulares) da casa: eu, minha mãe, minha irmã e meu irmão. Meu primo mais velho trouxe a namorada (que eu nem sabia da existência), meu irmão estava com a dele desde que eu havia chegado na sexta-feira à tarde, minha irmã chegou só no domingo com o namorado e o irmão deste. Eu não trouxe ninguém.

Mas a estória acontece no sábado, quando havia oito pessoas na casa: eu, minha mãe, meu irmão e a namorada, minha tia e seus dois filhos, e a vó. Além dos dois gatos.

Meus gatos odeiam crianças. Elas ficam correndo atrás deles, pegando, apertando, tratando como brinquedo. Eu odeio crianças. No geral. Mas odeio principalmente meus primos, esses dois mais novos. Porque são crianças e porque eles são mau-educados, birrentos, mimados e insuportáveis. Quando eles chegaram na sexta à noite, comecei a minha tática de tentar desaparecer dentro da minha casa: me manter concentrada totalmente em uma única atividade; não falar ou falar o mínimo possível com alguém; não circular pelos cômodos enquanto alguém estivesse neles; diminuir meu ki para que mau percebessem minha presença. A tática desmoronou na manhã do sábado porque dormi muito mal e acordei de mau-humor. Minha famosa paciência, que é tão grande que às vezes vira um defeito meu, se encolheu e ficou do tamanho de uma azeitona.

Não era nem a hora do almoço quando eu gritei a primeira vez com o mais novo dos meninos. De tarde, cansada de manter a compostura diante das pequenas crueldades para com Syd, o gato, peguei ele do colo claustrofóbico do menino mais novo e me tranquei no quarto com ele. Granola tinha sumido, mas estava segura, eu tinha certeza. Syd não. Ele apanha dos gatos que aparecem em casa, não tem tanta disposição para correr, um de seus rins é menor que o outro, o que demanda cuidados especiais e já estava visivelmente estressado. O menino chutou a porta do meu quarto e eu gritei de dentro que ela ia quebrar (é uma porta de vidro). O menino mandava eu abrir e eu tentei ignorá-lo. Syd estava deitado na cama, olhando para a porta. O menino saiu por um segundo e voltou com uma chave, tentou abrir a porta, e sem sucesso, saiu de novo e foi buscar outras chaves enquanto exigia que eu abrisse a porta porque ele queria o gato. Eu podia ouvir o meu primo mais velho dizer que o menino era um trouxa, o quarto era meu, e eu podia fazer o que bem entendesse. Não era isso o que eu queria que o menino entendesse. Em outra tentativa frustrada de abrir a porta, falei que o gato não é um brinquedo e que ele não gosta de ser perseguido e apertado, nem de ficar a força no colo de pessoas que ele não conhece. Ou algo mais ou menos assim. Outras pessoas vieram interferir tentando convencer sem muita convicção o menino a nos deixar em paz. A mãe não estava na casa e o pai tinha voltado pra São Paulo depois de trazê-los na sexta.

Comecei a me sentir ridícula. Eu, com vinte e seis anos, brigando com um menino de sete ou oito anos, dentro da minha própria casa, por um gato. Nós dois sustentando nossas certezas: eu, protegendo como uma mãe o gato que eu amo, mas me dando o luxo infantil de descontar o meu mau-humor no mais fraco, o menino; o menino, pouco acostumado à reais frustrações, querendo o gato pra si porque o quer e quer agora, se aproveitando a ausência de figuras de autoridade para exercer autoridade ao mais fraco, o gato. Por que nós, parentes, devemos ajudar a criar as crianças se elas não nos respeitam como figuras de autoridade? A vó criou os netos e não recebe nem o direito de poder assistir o que ela quer na sua própria casa. É desrespeitada e humilhada diariamente por um moleque de oito anos. E ele é assim com todos os outros adultos (ou adultos incompletos, como é o meu ridículo caso), com exceção da mãe e do pai, porque eles tem poder de troca, troca material, e poder de punição, física.

Depois que o menino desistiu de tentar abrir a porta, fiquei trancada no quarto por algumas horas, até sentir fome. Saí, deixei Syd dormindo serenamente na cama, e fui comer qualquer coisa na cozinha. Quando voltei, fui pro quarto da minha mãe, onde a vó estava vendo o programa que ela gostava. Syd também foi para lá, trocar de cama para dormir mais. O menino entrou no quarto e pegando o gato no colo olhou pra mim e disse que aquele quarto não era meu. E nem dele, pensei. Qual a vantagem que ele estava contando? Que batalha maluca ele se via vencedor? Disse uma última vez, cansada, pra soltar o gato porque ele não queria colo. Syd tentava escapar, mas era doce demais pra arranhar quem quer que fosse. Tentei focar na TV, ignorar os ruídos, baixar o meu ki e fingir que eu não existia. Ainda tinha a festa no domingo...
evig: (12 - dark)
2016-10-05 01:48 pm
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Blecaute

Acabou a energia e você pode imaginar quanto tempo se passou até eu me tocar de todo o silêncio que me envolvia. Não durou nem cinco minutos para que eu começasse a chorar desesperadamente, sem motivo. Fazia um tempo que eu não estava feliz. Não que tivesse motivos para ficar triste, mas também não tinha motivos para estar feliz. E você pode dizer que sempre tem motivos para ser feliz, olhar para as pequenas coisas que eu tinha. Mas eu era adolescente e o que saltava aos meu olhos era tudo o que não tinha. Alí estava abarrotado de nada. E eu passava meus dias enchendo esse nada de ruídos, fragmentos, qualquer coisa que enganasse a fome, os sentidos.

Mas sem energia ficava muito óbvio o silêncio, o imenso nada. Então, o que me restava, aquela preciosidade que eu não ousava expôr por me sentir demasiada exposta transbordou em lágrimas copiosas no silêncio e no escuro. Que nem era escuro, era uma penumbra na qual eu podia enxergar minhas mãos. A penumbra é mais cruel que o escuro. O escuro me dá uma coragem que sai do nada e entra em mim, fazendo com que eu me sinta misturada ao escuro, me perceba diluindo. Faz com que eu acredite que possa desaparecer. A penumbra só mostra o contorno das coisas, deixando elas ocas, acusativas e cruéis. Minhas mãos pareciam ocas, mas sem ser cruéis ou acusativas, eu não tinha força pra tanto sentimento. Eu só sentia o nada.

Fiquei com medo quando minha preciosidade derramada se esgotou. Era o último fio de humanidade que havia sobrado: o medo. Eu continuava parada no meio da sala, em pé, sendo acusada pelas formas ocas das coisas. Tentei desaparecer e talvez tivesse conseguido por um tempo porque a energia tinha voltado, a geladeira tinha dado um estalo, as luzes se acenderam, o aparelho de som piscou sedutor pra mim. Mas eu ainda tava no meio do caminho da volta. Queria ter ficado lá, no nada, misturada e diluída, desaparecida. Não era mais possível. Eu não tinha força nem para permanecer desaparecida. Teria que ser uma coisa oca sobrevivendo ao nada ao redor.
evig: (13 - moça)
2016-09-27 11:19 am
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5:30

Ainda não tinha clareado, nem o ônibus tinha passado quando vi um cavalo branco mexendo num saco de lixo. Um cavalo mexendo no lixo. Um cavalo branco no lixo. As poucas pessoas no ponto de ônibus também olhavam o cavalo disfarçando o absurdo da cena. O cavalo procurando algo pra comer no lixo. Um cavalo branco mexendo no lixo. Um cavalo. Branco. No lixo.
evig: (08 - chifres)
2016-09-14 11:26 am
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Essa História Você Já Conhece

É sobre um rapaz bonito que aparentava ser mais jovem do que era, o que pra ele era uma vantagem, já que ganhava a vida como cacheiro nos anos sessenta, você lembra como era o Brasil nessa época?! Ele viajava por aí vendendo coisas que as pessoas não queriam comprar, mas que acabavam comprando. Ele acabou encontrando esse outro rapaz, também muito bonito, não muito mais novo, mas que aparentava ser um homem feito. Ele usava aquelas costeletas da moda, sabe?! E era meio fechadão. Trabalhava com papeis, apólices, contabilidade de gente que morava nos quintos dos infernos, mas que por alguma razão tinha relações com a firma em que trabalhava em São Paulo. O cacheiro era do Rio de Janeiro.
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evig: (Default)
2016-09-14 11:12 am
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Cinco minutos antes de sair de casa

As portas que abrem e fecham
Sorriem e me acusam
Eu Penso que sinto que vou
Não vou

Janelas me olham e julgam
Eu Finjo que penso que vou
Não vou

Paredes comprimem meu corpo
Me encolho e estico
E Digo que finjo que vou
Não vou

O chão derrete e me engole
Eu Sinto que grito que vou
Não vou
evig: (08 - chifres)
2016-06-18 06:28 pm
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Tão insano quanto você - Uma vida em listas, de Tood Hasak-Lown

O chamariz desse livro é, como o subtítulo entrega, que ele se propõe a contar um história atravéz de listas, o que é interessante. E apesar de eu estar um pouco entediada com histórias sobre adolescentes homem-branco-cis-hétero-americano-de-classe-média, a pessoa que me emprestou o livro me contou a tal revelação que o pai faz ao filho; e pensar que o livro trata de como esse adolescente lida com esse novo fato é um tema bacana.
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evig: (12 - dark)
2016-06-14 06:29 pm
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Comentário sobre As Fábulas Negras e a contação de lendas

As Fábulas Negras é um filme que costura curtas dirigido por diretores brasileiros que se dedicam ao gênero terror. São histórias/lendas populares que ganharam uma roupagem do terror trash, enfatizando o bizarro, a violência gráfica mais teatral e muito, muuuuito sangue. O fio que costura essas fábulas é um grupo de meninos que saem para brincar na mata e vão contando essas fábulas, e no final, eles acabam protagonizando um última fábula.
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evig: (04 - banco)
2016-05-10 09:41 am
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Trocados

Fui passar pela catraca e o cartão deu “sem saldo suficiente”. Bufei internamente e fui verificar na maquininha da parede quanto foi o meu erro de cálculo. Eu tinha 1,35, era 6:00 da manhã de quarta-feira e eu tinha 20 reais pra aguentar até sexta, quando eu iria pra casa da minha mãe pegar dinheiro. Não tem posto de recarga do bilhete no terminal Mauá então eu tinha que comprar uma passagem inteira. Fui fazendo os cálculos na fila: 20 menos 3,80 daquela ida, menos (1,90 vezes (uma volta mais duas passagens da sexta; quinta tem paralisação, ainda bem) três) 5,70, menos (duas vezes 3,80 do ônibus em Mauá (porque eu ainda não resolvi essa merda?)) 7,60, menos 4 do ônibus de Itapevi, menos 3 e... ah, vou por 4, nunca lembro se tá 35 ou 85.

- Moça, me dá um trocado?

Dei minha nota de vinte pro caixa e fiz sinal para uma só passagem.

- Moça, tem um trocado pra interar a passagem?

Eu tava segurando minha bolsinha de moedas e um copinho plástico de café com leite que eles dão no terminal de ônibus e fui tentando guardar meu troco.

- Moça! Então que Deus te abençoe e que nunca te falte nada.

Moço, já está faltando!
evig: (03 - nuvens)
2016-04-27 01:02 pm
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Início do período de provas e trabalhos

Eu vou dar uma sumida... Mas vou publicar as coisinhas que escrevo vez ou outra.
.
.
.

Depois de uma sessão de 36 horas, os deputados começaram a votar no final da tarde de domingo a favor do impeachment: sim ou não. Pela minha família, pelo meu estado, pelo povo brasileiro, eu voto sim. Pela constituição e pela democracia, eu voto não. Pela democracia e pela esperança eu voto sim. Me sinto constrangido de participar dessa palhaçada presidida por torturadores, contra o golpe eu voto não. Infelizmente eu voto sim. PT, partido das trevas. Eu ja comprei a passagem da presidenta, pelas ferias eternas eu voto sim. Pela presidenta que é honesta e honrada, eu voto não…

Meu tio alternava a tv com a transmissão do futebol no rádio. Eu fui dormir. Acordei com os fogos de artifício e um vizinho gritando “Vai Corinthians!”. Logo depois ele gritou “chupa PT!”. Dormi confusa, acordei atrasada.
evig: (05 - a cup of tea)
2016-03-17 09:35 am
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Hell - Paris-71016, de Lolita Pille

Hell foi um hit literário na internet lá pelo final dos anos 2000 e acabei reparando em outros livros mais ou menos parecidos de outras jovens autoras na pequena Nobel de São Roque. Na verdade, eu tomei conhecimento disso porque eu comprei Cobras & Piercing e alguém me indicou Hell, mas lembro me de um outro livro, de uma chinesa, que ficcionalizou sua juventude consumista, hipersexualizada e drogada. No fim, Cobras & Piercing destoa um pouco do tema, e a história aparentemente não tem relação com a autora.

Lolita Pille de fato viveu nos ambientes descritos no livro, morou numa casa luxuosa no bairro nobre de Paris, estudou nas melhores escolas e teve amigos que a excluíram de seu círculo depois que o livro foi publicado. E ele foi bestseller na França. Como eu só li agora, pouco mais de vinte anos depois que ele foi lançado, não posso entender o impacto que ele causou porque eu já consumi muito, mesmo que sem saber, dessa premissa. Mas olhando para o texto hoje, vejo que ele poderia ser excelente; uma pena não ser.

Por quê excelente? Read more... )
evig: (13 - moça)
2016-03-11 11:14 am
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A Consciência de Zeno, de Italo Svevo

Diferentemente de A Montanha Mágica, a leitura de A Consciência de Zeno foi muito mais leve e divertida, mesmo os temas não sendo leves. Isso se deve ao narrador-personagem, que longe de ser um modelo, é adorável em sua odiosidade. Zeno é burguês, pouco trabalhou em sua vida (numa ocupação obscura nos “negócios da família”), casou-se querendo outra e a traiu diversas vezes. Até aí, esse é o perfil base do homem da época (começo do século XX). Mas é a honestidade machadiana com que lemos os relatos da vida dele que faz com que a leitura seja divertida.

Umas das melhores cenas do livro se passa no capítulo sobre seu casamento, quando Zeno vai visitar a casa de seu “padrinho” da Bolsa e há a conversa dele com as mulheres da casa. A esposa, a filha mais velha (que ele julga feia), a segunda filha (que ele julga bonita, mas esnobe), a terceira (bonita, mas ainda uma colegial) e a caçula (que o detesta claramente). E ele, se esforçando para ser um bom partido, diz as coisas mais absurdas, sendo inclusive corrigido numa frase em Latim pela colegial, depois de dizer que o Latim não era língua para mulheres.
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evig: (15 - leitura)
2016-03-03 04:36 pm
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Beira-mar, de Márcio Reolon e Filipe Matzembacher

Não sei se sou uma conhecedora média do cinema brasileiro. Acho que estou abaixo disso e um pouco acima do conhecimento do grande público. Tenho problemas para me lembrar dos nomes e dos rostos da grande maioria dos atores brasileiros. Eu não sou familiarizada com novelas e não gosto de filmes de comédias (no geral), visto que grande parte da produção brasileira que vai para os cinemas são desse gênero. Não vi Tropa de Elite. Nem Carandiru. Nem O Alto da Compadecida. Mas vi Cidade de Deus. E Central do Brasil quando eu era muito pequena pra poder me lembrar se eu gostei ou não [nota mental: preciso rever esse filme]. Só me lembro desses blockbusters.

Mas a produção brasileira de cinema fino está no âmbito independente, nas bordas, na boa ideias e na pouca grana. Mas esses filmes a gente não toma conhecimento. Você tem que procurar. Alguns vão dizer que o brilho ficou pra trás, no Cinema Novo. Mas quem vê Vidas Secas? Quem viu Vidas Secas? Meus pais e tios e pais de meus conhecidos certamente não. Eles viam filmes americanos, blockbusters, coisas que hoje passa na seção da tarde.
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evig: (06 - timidez)
2016-02-25 11:37 am
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Crônica

Estava discutindo com minha irmã pelo whatsapp quando o homem que gritava palavrões à ninguém me interrompeu.
- Saudação nação roqueira. Eu te amo.
O cabelo mau pintado de azul claro me denunciava, mas a suposição que toda pessoa de cabelo colorido era roqueira era inteiramente dele. O “eu te amo” me incomodou. Eu estava irritada e não carente. E eu nunca apreciava carinho verbal de desconhecido, mesmo quando precisava.
- Você quer cigarro? Dois reais.
Disse que não, obrigada.
- Compra pra depois, pra sua mãe, pro seu pai, pra sua tia.
Já haviam me dito que tenho cara de fumante… Fui negando e baixei a cabeça pro celular, pra ele perceber que eu não queria conversa. Ele disse “tchau” e eu também.

Depois, no metrô, ouvi sem querer uns jovens de roupa social falando que acham feio que a mulher fume e beba cerveja. “Ela bebe vinho com VOCÊ, e bebê cerveja com as amigas” e “Eu prefiro que ela cheire cocaína à fumar” disse um deles, ou algo parecido. Depois enveredaram por assuntos mais nobre, como “quem criou a caneta bic”. Fiquei com vontade de começar a fumar e beber cerveja.
evig: (04 - banco)
2016-02-10 11:06 am
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Endereço

Recebi a ligação da agência de publicidade que eu tinha ido fazer uma entrevista. Podia ir lá no dia seguinte entregar uns documentos que faltavam e já podia começar na segunda. No dia seguinte fui até a agência, só que não tinha agência nenhuma lá. Era um prédio residencial. Julguei que eu tinha pego uma travessa errada e perguntei pro porteiro onde ficava a agência. Ele disse que nunca tinha ouvido falar dela e me indicou o posto de gasolina pra pegar informação. Ninguém lá conhecia a agência. Liguei pro número que me retornaram e a moça me deu um endereço que nada se assemelhava com o que eu tinha feito no dia seguinte. Eu não tinha memória ruim, até agora, pelo menos. Enfim, ficava ali perto, mas em direção ao centro. Resolvi o que tinha que resolver e até contei sobre minha confusão de endereços. Eles riram.
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